sábado, 21 de setembro de 2013

CRÍTICA

A crise e o Brasil  Desde a eclosão da atual crise do capitalismo, os analistas oficiais da burguesia, no Brasil, incluindo aí evidentemente os governistas, buscam passar uma mensagem tranquilizadora. Inicialmente, tentaram vender a idéia de que a crise nos atingiria levemente. Depois, foram obrigados a se corrigir, mas, ainda assim, tentam agora nos convencer de que o pior já passou e que já há sinais de recuperação. É claro que, quando estes senhores falam da crise e do Brasil, por Brasil entendem eles, os interesses dominantes, da grande burguesia. E é verdade que, para este segmento, as coisas não estão tão ruins assim. Seus lucros estão garantidos, não lhes falta ajuda governamental e não há indícios de que essa situação vá se alterar no curto prazo. Todavia, se por Brasil entendemos a grande maioria do povo, o proletariado e demais setores explorados, então a coisa muda de figura. Para nós que já vivíamos em crise permanente, com salários baixos e sendo cada vez mais diminuídos, ou sem salários, segurando a barra com as bolsas governamentais, ou fazendo empréstimos a juros aviltantes; para este Brasil, a coisa já estava feia e com tendência a piorar. Na sequência, buscamos compreender um pouco mais os impactos da atual crise do capitalismo para a maioria do povo.  
O desemprego se mantém Na campanha de 2002, Lula prometeu recuperar os 10 milhões de empregos eliminados no governo FHC. No primeiro mandato, a promessa não foi cumprida, ficando para o segundo. No informativo “Em questão”, nº. 863, de 07 de agosto, que é editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, afirma-se que “entre 2003 e 2008, o número de empregos gerados foi de 10,7 milhões”. Por estes números, poderíamos imaginar que boa parte do problema estaria resolvido. Infelizmente, as coisas não são bem assim. Antes de mais nada, é preciso considerar também aqueles que perderam o emprego nesse período. Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, afirma no jornal “Le Monde Diplomatique Brasil”, número 25: “No Brasil, entre dezembro e janeiro foram eliminados cerca de 756 mil postos de trabalho formal em todo o país. De fevereiro a maio os resultados passaram a ser positivos, foram criados em torno de 281 mil novos postos de trabalho(...)”. Dessa forma temos, aproximadamente, 465 mil desempregados a mais no país, de dezembro de 2008 até agosto de 2009. Outro problema que o discurso oficial não coloca é o fato de que todo ano, pelo menos 1 milhão de jovens entra em idade de trabalhar, e não estão encontrando empregos adequados. “A taxa de desemprego entre jovens no Brasil é 3,2 vezes superior à registrada entre adultos”, apontou o relatório “Trabalho Decente e Juventude no Brasil”, organizado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) em parceria com o Conselho Nacional de Juventude. Esse estudo, divulgado em 2 de julho, utilizou dados do IBGE de 2006, atualizados em 2008, e tem como público-alvo as pessoas com idade entre 15 e 24 anos. Tudo isso foi agravado ainda mais pela atual crise capitalista. A crise não é, evidentemente, culpa de Lula ou de qualquer outro governante, individualmente falando. No entanto, a atitude deste ou daquele governante diante dos efeitos da crise revela de que lado ele está na luta de classes. Pois bem, o que fizeram Lula e Serra, por exemplo, com relação aos estragos provocados pela crise capitalista? Lula e Serra gastaram 8 bilhões de reais dos cofres públicos para socorrer as montadoras, sendo que estas mesmas montadoras enviaram 4,8 bilhões de dólares para o exterior em 2008. E nem sequer pediram que fosse mantido o nível de emprego, ou seja, as montadoras ganharam essa ajuda e continuam demitindo tranquilamente.  
“E o salário, oh!”  Os salários no Brasil continuam em queda livre. Claro que nós não estamos falando dos salários de uma pequena minoria de privilegiados, que servem à manutenção das coisas como estão, como é o caso dos salários dos altos funcionários das grandes empresas, dos salários dos altos funcionários dos poderes executivo, legislativo, judiciário e das forças armadas. Esse pessoal tem meios para conseguir gordos salários e conseguem aumentá-los sempre que desejam.  No entanto, os salários da grande maioria do povo, trabalhadores urbanos e rurais, o grosso do funcionalismo público, esses salários estão arrochadíssimos. Como resultado dessa sistemática política de arrocho, que vem desde o regime militar, a massa salarial no Brasil vai diminuindo. A participação dos salários no PIB – Produto Interno Bruto – era de 50% nos anos 50. Em 2003 representava 39,8% do PIB, caindo para 39,1% em 2007. Os jornais de sexta-feira, 28/06/09, publicaram estudos que revelam nova queda da massa salarial. Dados do Ministério do Trabalho nos mostram que, entre os 40 milhões de assalariados do país, 67% ganham até 2 salários mínimos.    Rebaixamento da qualidade do emprego Se o quadro anteriormente esboçado já é triste para os trabalhadores, o problema é que o pior ainda está por vir. Isso porque, como vimos, a burguesia está superando a sua crise com generosa ajuda governamental. E a superação da crise pela burguesia implica que, para manter o patamar das taxas de lucro que persegue, a burguesia aumentará ainda mais o nível de exploração sobre o proletariado. Essas medidas estão piorando as condições, que já são precárias para os trabalhadores. Não esqueçamos que a PEA- População Economicamente Ativa – brasileira atual é de 90 milhões de pessoas, das quais apenas 40 milhões tem carteira assinada. Milhões de operários, comerciários, trabalhadores de transporte, ambulantes e outras categorias, vivem o drama de trabalhar muito, sem descanso semanal, sem férias, sem assistência médica, e de ganhar pouco, muito pouco. Os jovens que se preparam para tentar uma vaga no mercado de trabalho nos próximos anos encontrarão essa dura realidade. A realidade dos contratos temporários, do trabalho sem direitos. E ainda terão de concorrer com milhões de adultos desempregados e aposentados, pois, como sabemos, milhões de aposentados recebem baixíssimas aposentadorias e, por isso, continuam tentando trabalhar para se manter. Diante desses dados, analistas oficiais da burguesia, que se especializaram em manipular índices para fabricar otimismo ou, pelo menos, resignação; estes senhores nos dirão que não há o que fazer, que é uma tendência mundial, que num momento como esse, “todos” temos que fazer sacrifícios, que não é hora de pedir aumento de salário, que o governo vai expandir o Bolsa Família, etc. E tudo isso, para quê? Para manter tudo como está. Os explorados conformados com sua situação e os exploradores tranquilos, confiantes de que poderão continuar sugando as energias do povo, sem que ninguém lhes aborreça com reivindicações, greves e manifestações públicas. Isso não, nada de comparar a miséria das pessoas que vivem na rua, que passam fome, que são expulsos das suas precárias moradias, com a vida luxuosa e farta de uma pequena minoria. Não, nada de dizer que essas situações são faces da mesma moeda. Que se uns estão assim é porque outros estão assado. Não, isso é luta de classes. Isso é coisa de comunista. Num quadro como esse, não é necessário ser nenhum gênio para concluir que, nos próximos anos, milhares ou mesmo milhões de brasileiros se tornarão mendigos, ou enveredarão pelo caminho do latrocínio, do tráfico de drogas ou da prostituição. A resistência revolucionária, na luta por condições de vida decentes, é o caminho que devemos seguir. Fonte: < http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=142:tribuna-de-debate&catid=30:xiv-congresso&Itemid=56 > Boletim ARMA DA CRÍTICA – setembro 2009 

Nenhum comentário:

Postar um comentário