sábado, 30 de novembro de 2013

SINDICALISMO BRASILEIRO: rompendo com resultado sindical, com a autonomia de anarquistas, socialistas e comunistas.



 

Osni Valfredo Wagner


1.    INTRODUÇÃO:

Este analise sobre o sindicalismo brasileiro a partir de um recorte histórico do surgimento das primeiras greves nos anos de 1920. Os sindicatos amarelos do getulismo, o golpe militar impedindo a organização política sindical por vinte anos. A partir da anistia e a redemocratização a partir de 1979 o sindicalismo combativo que se espelha no sindicato solidário surge a CUT, contrapondo a CGT, a chegada do PT no poder com Lula presidente a degeneração da CUT. Emergem novos ativismos com propósitos de autonomia sindical no Brasil e manifestações de ação direta a partir das redes sociais.

Está analise se baseia na História do sindicalismo brasileiro em que surge de ativistas anarquistas, socialistas e anarquistas dos anos de 1920, o sindicalismo amarelo do getulismo e lulismo, que buscam resultados e despolitização.

 

2.    HISTÓRIA:

A história do sindicalismo no Brasil surge com visibilidade a partir da greve geral de 1920 no inicio do século XX, existia uma diversidade cultural de maneiras de organização do movimente sindical: anarquistas, socialistas e comunistas.

A partir dos governos getulistas os sindicalistas combativos passaram a serem perseguidos, mas as lutam continuam com greves pela luta por direitos sociais, carteira assinada, férias, décimo terceiro. As reformas de base como reformam agrária, garantia uma elasticidade dos direitos sociais no Brasil.

A derrubada de ativistas do sindicalismo brasileiro no período de Getúlio Vargas faz surgir os sindicatos pelegos, em que consistia em apoiar o governo e fazer assistencialismo.

Surge a escola pública nos anos de 40 do século XX, impedindo a expansão da formação dos trabalhadores a partir das propostas dos sindicalistas anarquistas socialistas e comunistas, a pluralidade sindical com estratégias diferentes da ação direta em greves, comissões de fábrica e clandestinidade.

 

3.    CRÍTICA A CUT & CONLUTAS

Esta crítica a CUT e a CONLUTAS parte da ideia de que existe um fundamentalismo do sindicalismo brasileiro cutistas e neocutismos do conlutas, entre outros. O final do século XX surge a partir do movimento pela abertura política brasileira e a redemocratização, um sindicalismo de solidariedade contra a velha forma de fazer política sindical das centrais no país como o caso da CGT, que busca resultados imediatos.

A despolitização garante a centralidade nas ideias de interesse do governo e impedindo avanços dos interesses dos operários nas diversas categorias. O sindicato serve para amaciar as negociações entre patronal e o sindicato pelo governo que contribui para garantir o peleguismo.

 

“Este sindicalismo já foi amplamente analisado. Apontamos, a seguir, algumas características mais gerais. Trata-se de um sindicato corporativo, inspirado numa filosofia de classes, com uma estrutura verticalista, sem conciliação participação de dos trabalhadores, sustentado pelo imposto sindical, pela justiça do trabalho e por uma prática assistencialista. Este sindicalismo é qualificado de "pelego" por ter como objetivo "amenizar" o choque provocado pela luta de classes” (ZANETTI, 1993, p. 5).

 

O aparelhamento das instituições sindicais, centrais de trabalhadores no país é um retrocesso da garantia de direitos sociais das mais diversas categorias de operários em todo o país.

O cutistas se aproxima e ou iguala a política sindical de resultado, o aparelhamento das entidades sindicais do lulistas-petistas se assemelha aos amarelos pelegos getulistas dos trabalhistas.

O adento das queimadas de bandeiras vermelhas fez com que os ativistas da CONLUTAS se aproximassem da CUT.  O que parece estar acontecendo aproximação dos conlutistas com os cutistas, aos poucos irá entender essa realidade. Pistas com os desfechos da greve da GM em que o conlutistas foram protagonistas de uma grande derrota para aquela categoria.

Um novo sindicalismo está surgindo a partir dos desafios que estão colocados na ordem do dia, as instituições sindicais atuais estão defasadas. A nova possibilidade de avanço depende da organização sindical autônoma, um dos possíveis rompimentos ao peleguismo existente na atualidade do sindicalismo brasileiro.

Existe um corporativismo partidário diretamente ou indiretamente, pode se observar pelo discurso daqueles que abonam o mensalão, a unificação de centrais e indiretamente partidários da base aliada de Dilma.

A queimada da bandeira vermelha contra o governo federal, o CONLUTAS abraça na Rua a CUT entre outras centrais que recebem dinheiro do governo, caracterizando um aparelhamento das entidades sindicais.

Ficando visível a aproximação fundamentalista do CONLUTAS e a CUT, entre outras centrais sindicais brasileiras. Fundamentalismo que se origina do sistema partidário vigente no Brasil.

 

4.    NOVOS MOVIMENTOS SINDICAIS & MOVIMENTOS SOCIAIS

A perspectiva de garantia de direitos sociais no século XXI está em risco, este risco quando é percebido já é tarde na maioria das vezes. Com o advento da automação (trabalho morto) temos a substituição da mão de obra (trabalho vivo).

Analisando o sindicalismo brasileiro a partir das mobilizações a partir de junho, essas manifestações multiculturalistas nos apresentam desafios novos de analise sobre a militância social.

Novas leituras sobre a capacidade de se fazer manifestações a partir das redes sociais, observa-se que as pessoas modificam-se a si e coletivamente a partir desse batismo da rua.

O século novo que está caminhando para há segunda década, aos poucos está visível os novos desafios para o novo tempo que vivemos. A ideia de cidadania do século passado não dá conta em resolver os problemas atuais¿

A formação sindical é um dos primeiros passos para o rompimento com o sindicalismo pelego e aparelhado à tomada da consciência da situação que a classe operária vive com seus representantes em diversas categorias.

Na realidade essa fase do capitalismo de uma acumulação a partir do sistema financeiro. A crise que resulta dessa forma perversa de ‘exploração’ que é muitas vezes a especulação financeira, imobiliária etc.

As privatizações nos colocam em um senário de aumento de tarifas nas mais diversas ordens, a mais visível é a tarifa de transporte coletivo. Outras tarifas também aparecem como sendo problemáticas como água, eletricidade e esgoto, que estão cada vez mais elevados.

As manifestações no país que aconteceram a partir de junho, tiveram diversas ordens, manifestações espontâneas, ativistas sociais, partidários. Os conceitos manifestantes parecem estar mais adequados para explicar os eventos no Brasil e em outros países a partir das redes sociais.

O sentido de MOVIMENTOS SOCIAIS é um pouco mais permanente, as mobilizações de rua da forma que se intensificaram em todo o mundo. Podem se transformar em um grande movimento social, a partir da consciência dos cidadãos de sua própria relevância na participação e controle social.

Novas mobilizações somente não significa que esses eventos são manifestações de movimentos sociais propriamente ditos. Então o que se caracteriza como um movimento social? Responder essa pergunta é uma pista para se encontrar um entendimento mais adequado a cerca do que estamos falando sobre o ativismo brasileiro.

No momento de maneira preventiva classificasse como manifestações, esse debate é importante para nos orientar sobre os caminhos que estão sendo trilhados pelos ativistas e as manifestações nas mais diversas maneiras de mobilização.

 

“O que exigimos é respeito e, para isso, um debate franco é o melhor caminho que podemos trilhar. Sem ignorar nossos princípios ideológicos e as experiências históricas relevantes, nas quais cerramos fileiras com outras tradições da esquerda ou fomos traídos, o anarquismo tem um papel importante a cumprir no conjunto mais amplo do socialismo. Continuaremos a trabalhar sem sectarismo para auto-organizar a classe trabalhadora e os/as oprimidos/as, mas exigimos que tratem as bandeiras rubro-negras e o anarquismo como parte do que sempre foram, o setor libertário do socialismo” (SILVA, 2013).

Os atuais anarquistas contribuem para a organização de coletivos importantes, em ações diretas em que o institucional não consegue realizar da mesma maneira eficiente na luta por direitos sociais.

A educação não pode estar fria, sem luz e nem sem sal. Não estamos defendendo a escola tradicional, mas os tradicionais são autênticos. Assim como os progressistas tem sua autenticidade entre libertadores e libertários. O complicado são aqueles que por mais que saibam de todos os métodos não adota um, nem o da escola. É uma porcaria porque a forma de ensinar é o de improvisar sempre, não tendo plano e o projeto político pedagógico da escola é só uma teoria desprendida da prática escolar.

Defender de imediato a escola libertadora, mas em longo prazo pensar a escola libertaria. A libertadora parte da metodologia da dialógica em que se observam os temas geradores que movem os estudantes, a metodologia libertária se pressupõe a liberdade e a construção da autonomia dos indivíduos.

5.    CONCLUSÃO:

Analisando o sindicalismo brasileiro podemos dizer que temos muito mais coisas negativas para analisar do que questões positivas. A classe operária no Brasil sofrem derrotas nos mais diversos níveis de gravidade, o que coloca a classe proletária em uma situação de fragilidade a partir da representatividade de atores sociais em instituições sindicais.

Essas instituições sindicais com os representantes pelegos, aparelhados pelo Estado brasileiro, nos níveis federal, estadual e municipal. Estado este que faz uma expansão de privatizações. Colocando em risco as políticas sociais: de saúde, educação, habitação, mobilidade urbana entre outros.

É urgente a formação de novos ativistas que partam de princípios de autonomia, organização operária. A conquista de direitos sociais é uma possibilidade que depende do rompimento com o velho método de se fazer sindicato.

As manifestações de rua que surgiram das indignações nas mais diversas maneiras de pensar. É uma nova possibilidade a partir das redes sociais, avançam como germe de novas mobilizações que emergem da consciência da necessidade da autonomia o apartidarismo político.

A ordem do dia é desde questões de garantia de emprego, a tarifa zero, manutenção de direitos e ampliação de direitos históricos que ainda não foram colocados em prática como condições de trabalho.

 

6.    BIBLIOGRAFIA:

ANTUNES, Ricardo, O que é o sindicalismo¿ Editora Brasiliense, 2003.

ZANETTI, Lorenzo, O "NOVO" NO SINDICALISMO BRASILEIRO: CARACTERISTICAS, IMPASSES E DESAFIOS. Dissertação submetida como requisito parcial para a obtenção do grau de mestre em Educação. Rio de Janeiro Fundação Getúlio Vargas Instituto de Estudos Avançados em Educação 1993.

SILVA, Rafael Viana da, Bruno Lima Rocha, Felipe Corrêa Deixemos todas as bandeiras vermelhas levantadas… Mas as bandeiras rubro-negras exigem respeito! (título original)Anarquistas respondem calunias do PSTU e pedem respeito < http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com/2013/07/01/anarquistas-respondem-calunias-do-pstu-e-pedem-respeito/ > acessado em 2013.

Nenhum comentário:

Postar um comentário